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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Como os perfumes artesanais mudaram a minha vida

- Hummm...cheirinho de patchouli. 
- Sou eu!, disse.
***

Falei sorrindo com os olhos. O rapaz começou a contar como aquele aroma fazia despertar uma memória afetiva da infância de quando sua mãe lavava roupa e eu percebi como os aromas despertam sensações em nós. Outro dia, sentada conversando com minhas vizinhas, uma delas falou: “que cheiro de folha”. Em outro momento, depois de um dia exaustivo de trabalho e suor alguém me abraçou e disse: “que cheirosa!”.

Quem não gosta de se sentir perfumada? Quem não gosta de um bom aroma na casa, nas roupas, no cabelo e corpo? Há 3 mil anos os egípcios sabiam da importância dos aromas e há cerca de quatro anos eu aprendi a criar uma nova relação com os perfumes. Como assim? Senta aí que vou te contar minha história com os aromas.

Perfume Senhora das Águas da marca
de cosméticos Ewé Alquimias
Foto: Rreprodução ewealquimias.com
Eu sempre amei perfumes, fazem parte da minha vida. Gostava dos mais doces, usava os produzidos industrialmente pelas grandes marcas de cosméticos que você conhece. Ainda adolescente desenvolvi uma alergia na pele proveniente de cosméticos como perfumes, hidratantes e sabonetes. A pele reagia com manchas e coceira intensa descoberta após teste alérgico e tratada.

Parar de usar perfume, como assim? Tive que lidar com essa surpresa. Logo eu, “a dona da Chanel” (hahaha). No início aplicava nas roupas, mas algumas peças manchavam e com o tempo fui eliminando-o da minha vida. O bom disso tudo é que passei a redescobrir meu próprio cheiro - que é único - e buscar novas formas de me perfumar.

Perfumes artesanais

Em 2014 tive o contato com o primeiro perfume artesanal que ouvi falar na minha vida, o perfume sólido Gabriela da Ewé Cosmética Natural (clique aqui e conheça). Poder usar um perfume na pele cerca de dez anos depois? Sim, tornou-se possível quando testei e minha pele aceitou. Me redescobri dentro daquele cheiro da cravo, canela, frutas e flores feito pelas mãos da artesã e farmacêutica Mona Soares. Uma mistura afrodisíaca que me transformou por dentro e fora e me fez acreditar que eu poderia reinventar meus cheiros. Uma pitadinha atrás das orelhas, no pescoço, nos pulsos e entre os seios dessa alquimia afrodisíaca já é o suficiente para atrair pessoas, olhares, sorrisos e ouvir palavras como: “nossa, como você está cheirosa!”.

A partir daí tive a certeza que seria possível eu voltar ao mundo dos aromas sem dor. Perfumes, sabonetes, óleos vegetais e cremes de pentear artesanais passaram a fazer parte da minha rotina de cuidado com o corpo. Contei sobre essa experiência aqui no blog (clique aqui).

Perfume Botânico em Òleo Aqualtune da Hawa (clique aqui)
Foto: Reprodução Hawa Saboaria e Aromaterapia

A primeira frase que reproduzi logo no início do texto foi quando usei o perfume em óleo Aqualtune, da Hawa Saboaria Natural e Aromaterapia. Onde chego as pessoas notam, tipo aquele rastro de aroma que estávamos acostumadas a ver nos desenhos animados (sim, existe! hahaha). A artesã da Hawa, Isis Carvalho, me deu uma aula alquímica sobre a produção do perfume que não vou saber explicar, mas você pode saber mais clicando aqui. Deixa eu te contar que a "beesha" é tão poderosa que faz fragrâncias personalizadas (clique aqui e conheça)!

Esses aromas mudaram a relação do que uso no meu corpo. Produtos produzidos pelas mãos de duas mulheres negras e baianas que elaboram suas alquimias pensando no bem estar e satisfação das clientes. Fragrâncias que mexem com nossa memória afetiva, trazem benefícios terapêuticos e são um convite para o bem estar.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Porque optei por usar cosméticos e produtos naturais no cabelo

Meu cabelo antes da gravidez. Nessa epoca já usada as técnincas No Poo e Low Poo

Há cerca de dez anos mantenho meu cabelo natural, livre de químicas que modifiquem a fibra capilar e textura, como alisantes. Nesse processo de transição descobri como ele é e quais melhores formas de deixá-lo bonito e saudável. 

Quando iniciei, poucas linhas de produtos da indústria de cosméticos eram direcionados a cabelos crespos/cacheados e a internet foi como um laboratório em que aprendi receitinhas e técnicas (principalmente naturais). Hoje virou um fenômeno e as grandes empresas viram que poderiam ganhar muito dinheiro incluindo a gente como público consumidor. Fico feliz com isso pois passei anos anos invisibilizada e hoje as crespas/cacheadas têm a opção desses produtos específicos que respeitam as particularidades que existem.

Para entender meu cabelo e o que e estava usando nele tive que estudar. Estudar a função do xampu, condicionador, creme de pentear, máscara de hidratação, óleo etc… Entender como cada produto funciona na estrutura capilar. Com isso descobri que a maioria deles contém substâncias químicas que não fazem muito bem a estrutura dos nossos fios.

Como os cosméticos podem fazer mal ao cabelo?

Uma das matérias que me ajudou a entender como essa associação produtos x cabelos funciona foi a da revista de divulgação científica Pesquisa FAPESP (julho/2007), feita pelo jornalista Ricardo Zoretto e intitulada “Fio a Fio: Testes revelam como cosméticos, em muitos casos, danificam o cabelo”.  A matéria divulga testes realizados pela cientista Inés Joekes e sua equipe, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que mostram como esses produtos podem ser danosos a estrutura do cabelo.

O uso do xampu, por exemplo, pode destruir pequenas partículas que modificam a estrutura do cabelo. “O simples uso diário de xampu faz mais do que eliminar as partículas de sujeira, de poluição e o sebo do couro cabeludo que se acumula nos fios. Ele é tão eficiente que remove até mesmo pequenas partes do próprio fio, contribuindo para produzir danos microscópicos em sua estrutura, alterar a cor e torná-lo mais  quebradiço, em especial nas pontas,” expõe o jornalista em seu texto. Os testes ainda apontam que a fricção que fazemos no uso do xampu no couro cabeludo é responsável por 90% dos danos à cutícula e é visível a olho nu através do que chamamos de “ponta dupla”.

Pensando em como esses produtos podem ser agressivos a estrutura dos cabelos cacheados que a Lorraine Massey, autora do best seller Curly Girls e da linha de produtos para cabelos Deva Curl, criou os conceitos No Poo e Low Poo, que tem como princípio a não utilização de xampus ou que não tenham em sua composição o sulfato de sódio, agente causador da espuma. Atualmente linhas de cosméticos industriais como a Lola ou a Yamá criaram fórmulas que atendem essas demandas que o cabelo crespo/cacheado, já que são mais ressecados devido a estrutura dos fios.

Pensando no que pode ser melhor para mim e meu corpo, decidi usar as duas técnicas na lavagem e diminuir o uso de produtos que tenham parabenos, óleo mineral, silicones industriais e sulfato.

Não preciso ter uma farmácia de produtos para cabelo

Até entender o que meu cabelo precisa para ficar saudável passei por vários processos e entre eles foi entender qual produto se adaptava melhor com meu tipo de cacho, por exemplo. Meu maior conflito foi enfrentar a ditadura dos cachos perfeitos e passar horas cuidando do cabelo para que ele fique super definido, sem frizz e volumoso! Cheguei a comprar muita coisa que no final virou lixo ou tornou-se desnecessária. 

Quando engravidei decidi cortar meu cabelo curtinho e a partir daí minha relação com ele mudou por completo. Percebi que não precisava criar nenhum cronograma capilar ou técnica para deixar os cachos perfeitos. Meu cabelo era livre e eu também! Não precisava me tornar escrava de cosméticos e nem ter vários deles para me sentir bem e feliz com meu corpo, afinal cabelo é corpo.

Nessa transformação decidi tomar uma posição política em relação ao meu cabelo, que é buscar cada vez mais o uso de produtos e cosméticos naturais. Essa decisão veio naturalmente e associada a três princípios: resgate das práticas e tradições dos cuidados ancestrais de respeito com o corpo e a natureza; valorização e fortalecimento do empreendedorismo feminino (principalmente o negro); relação saudável e econômica com meu dinheiro.

Babosa é uma planta muito utilizada para fazer hidratações caseiras. É encontrada em feiras livres ou casa de produtos naturais. (Foto da internet)

Hoje digo que consegui ser fiel aos princípios e quando as pessoas me perguntam e pedem dicas do que usar no cabelo, eu sempre indico o que encontramos na natureza ou  - minha relação de amor - os cosméticos da Ewé, feitos por Mona Soares, farmacêutica, fitoaromaterapeuta e artesã de cosméticos naturais.

Perceber as mudanças que o não uso de produtos industriais fizeram no meu cabelo demorou um certo tempo, mas hoje percebo que aquele esforço que eu fazia para mantê-lo hidratado não é mais necessário. Com o uso do xampu sólido, condicionador e um pouquinho de creme de pentear ou óleo de coco ele está lindo e sedoso. E gastando muito pouco (acredite!). Muitas vezes o mito de que produtos naturais ou feitos à mão são caros isentam as pessoas de se permitirem conhecer rotas alternativas, fora a influência que a mídia/publicidade tem sobre a gente. O post “Cosméticos naturais são caros?” do blog Herbalismo e Alquimia, de Mona Soares é maravilhoso e pode te ajudar a desmistificar o consumo de produtos artesanais.

 Quais cosméticos para o cabelo eu uso?

Segue uma listinha do que uso e minha relação com cada produto:

  • Creme de cabelo mel e dendê da Ewé: deixa meu cabelo super hidratado e cheiroso e só uso ele apenas uma vez, após a lavagem. No dayafter sinto que ele tem brilho e maciez suficiente para não precisar de mais nada! Compro na loja virtual da Ewé
  • Óleo de coco natural: compro na feira livre de minha cidade do interior e uso tanto no cabelo após a lavagem (junto com o creme ou sem) e também no corpo substituindo o hidratante;
  • Babosa: uso a baba para hidratar o cabelo junto com a hidratação, acho sempre na feirinha;
  • Condicionador de Andiroba e Copaíba da Ewé: a melhor invenção de todos os tempos, porque muitas vezes uso somente ele pra lavar, pois serve como xampu e condicionador (2em1) e deixa meu cabelo super lindo e hidratado;
  • Creme de pentear Yamasterol (do amarelo): uso após lavagem ou as vezes quando o cabelo ta meio se graça, misturo com água e aplico nele seco;
  • Xampu sólido Ewé (castanha): É um sabonete, no início você pode achar estranho. Sinto meu couro cabeludo bem limpo e não espumam tanto. Na verdade já usei vários, esse é o mais atual. Meu cabelo só não se adaptou o xampu de coco, mas os outros me dei super bem. No blog da Ewé (clique aqui) tem dica de como lavar o cabelo com esse tipo de xampu.
  • Xampu, condicionador e máscara hidratante da Bio Extratus linha Pós-Progressiva: amo muito essa linha e meu cabelo se dá super bem. Não contém muitos produtos que são agressivos ao cabelo como parabenos e o sulfato.
Digo sempre que toda escolha - seja ela qual for - é política. Eu optei por começar por essa e tem feito muito bem, principalmente porque já foi replicada no meu filho que não usa nenhum sabonete industrial. Não quero que ninguém se sinta obrigado a seguir meu ritmo e nem condeno quem usa produtos industriais, mas acredito que é preciso mostrar que existem alternativas para tudo que se faz e consome.